DIFERENTES OLHARES SOBRE OS OBJECTOS CIENTÍFICOS
Artista: Patrícia Noronha
Entidade de acolhimento: ITQB
Residência: 3 meses
(Set.-Dez.07)
SINOPSE
Este
projecto, através da produção de objectos – metáforas científicas – e
do seu acompanhamento fotográfico, teve como objectivo principal
conduzir a uma reflexão acerca da prática experimental da ciência e da
arte, uma vez que se usou uma instituição de investigação científica
como espaço de experimentação artística.
A
artista, depois do seu doutoramento em Biologia Molecular no ITQB,
passou do papel de investigadora científica para o de artista
residente, com esta nova experiência, passando a trabalhar numa
instituição de investigação científica, com todos os seus materiais,
sem a intenção de produzir ciência.
Após
o primeiro impacto, a artista sentiu um estímulo criativo extremamente
importante nesta passagem da prática científica à prática artística. No
fundo, ambos os tipos de experimentação tiveram o mesmo motor: prazer
da descoberta, implementação de algo novo, ver o que não se tinha visto
ainda ou voltar a ver, mas numa diferente perspectiva. A ciência e a
arte têm isso em comum, são actividades criativas em que existe uma
continuidade entre o passado, o presente e o futuro, e a utilização de
novas técnicas ou abordagens apresenta-se como um constante desafio,
que pode resultar sempre em algo novo.
Passada
a primeira fase de adaptação, foi montado um estúdio/laboratório numa
hote (equipamento utilizado para trabalhar com produtos tóxicos).
Concluiu-se que a câmara de fluxo laminar não protege o suficiente para
trabalhar com resina de poliester. Este tipo de equipamento é mais
apropriado para o trabalho em condições de assepsia. Como proposto no
projecto, foram construídos uma série de objectos em vidro e resina de
poliéster, tendo-se ainda usado diversos tipos de tintas. Utilizaram-se
materiais e instrumentos laboratoriais, não usuais na prática
artística, para fabricar todas as peças (exemplos: placas de petri de
vidro, placas de petri de acrílico, erlenmeyers, provetas graduadas,
copos de precipitação, eppendorfs). O trabalho foi acompanhado pela
realização de fotografias digitais (Canon Power Shot G3) tendo sido
estudado previamente quais os melhores locais para fotografar. As
imagens captadas ao longo do projecto funcionaram como um segundo
olhar. A fotógrafa, Alexandra Ceregeiro, trabalhou com uma câmara de
fluxo laminar, de superfície e fundo branco.
Placas
de petri de vidro (de diâmetro 150 mm e 25 mm de altura) foram
preenchidas com resina de poliester que serviram como superfície
pictórica e utilizaram-se micropipetas ou ansas como instrumentos de
“pintura”. Em testes preliminares, optimizou-se a quantidade de
secativo a adicionar à resina e quais os melhores tipos de tintas a
usar para obter determinado efeito. Em determinadas peças foi
introduzida tela, nas placas de petri, sendo esta coberta depois com a
resina e trabalhada como superfície pictórica. Alguns objectos foram
construídos por sobreposição de camadas, dando a sensação de terem
havido diferentes crescimentos microbianos em profundidade.
Alguns
objectos limitam-se a fotografias de géis de proteínas, ou negativos
das mesmas, que foram imobilizados em resina, nas placas de petri.
Essas peças funcionam como uma suspensão, no tempo e no espaço, de uma
actividade científica e que como tal deixou de fazer sentido passando a
pertencer ao universo da arte.
| http://www.itqb.unl.pt/science-and-society/arte-e-ciencia/document.2008-01-29.9283334065 |