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  1. PRÉMIOS AICA/MC 2010 DISTINGUEM LOURDES CASTRO E FRANCISCO CASTRO RODRIGUES

    [23-3-2011]


    Os prémios AICA/MC 2010 (Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura) foram atribuídos à artista plástica Lourdes Castro, na área das Artes Visuais, e ao arquitecto Francisco Castro Rodrigues, na área da Arquitectura. O júri deste ano contou com Manuel Graça Dias, Presidente da SP/AICA, Leonor Nazaré, vice-presidente da SP/AICA, e os críticos Ana Vaz Milheiro (arquitectura), e Lúcia Marques e Paulo Pires do Vale (artes visuais).


    PRÉMIO AICA/MC 2010 DE ARTES VISUAIS

    O Prémio AICA/MC 2010 de Artes Visuais foi atribuído à artista plástica Lourdes Castro (Funchal, 1930). O Júri considerou definitiva, para a atribuição deste Prémio, a exposição antológica À luz da sombra, realizada no Museu de Serralves em 2010, na qual "as grandes qualidades de invenção plástica da artista, a partir de valores inefáveis como as linhas, as sombras ou a leveza, ficaram particularmente sublinhados na sua expressividade e eficácia.

    Feita de cumplicidades, também estéticas, com Manuel Zimbro (1944-2003), com quem Lourdes Castro partilhou um projecto de vida e de obra, a exposição constituiu um expoente significativo da forma simples e autêntica com que a artista transfigura os gestos do quotidiano.

    No final dos anos de 1950 Lourdes Castro partiu para Munique e depois para Paris onde fundou, com René Bertholo, a revista KWY.

    A produção de objectos em assemblage, na década de 1960 e a posterior utilização de plexiglas na fixação de silhuetas e no jogo com as transparências tornam-se procedimentos determinantes do seu percurso artístico. As sombras serão também projectadas em lençóis bordados e num Grande Herbário de Sombras, a par dos projectos de encenação.

    Pelas Sombras, filme realizado por Cataria Mourão (1997, Ed. DVD Midas Filmes: 2010), exibido no contexto da exposição de Serralves, documenta e sobreleva, da artista, uma relação sempre íntima e exaltada entre a arte a vida."

    PRÉMIO AICA/MC 2010 DE ARQUITECTURA

    O Prémio AICA/MC 2010 de Arquitectura, foi atribuído ao Arquitecto Francisco Castro Rodrigues (Lisboa, 1920), pela grande relevância cultural do seu trabalho na cena portuguesa, ainda que pouco conhecido das gerações mais recentes, já que a maior parte da sua obra construída se localiza em Angola, no Lobito, cidade à qual imprimiu um forte carácter urbano a partir dos anos de 1950.

    Francisco Castro Rodrigues destacou-se logo em 1947, quando liderou um grupo refundador da Revista Arquitectura (as reuniões decorriam na sua própria casa), tendo traduzido para publicação na mesma revista (com a mulher, a actriz Maria de Lurdes de Castro Rodrigues), a Carta de Atenas (Le Corbusier, 1941), documento fundamental para a entrada do ideário da Arquitectura Moderna em Portugal.

    Combatente antifascista, perseguido pela polícia do regime, encontrou no Lobito um ambiente mais propício ao desenvolvimento de uma obra consistente, moderna, muitas vezes lúdica e expressionista, com recurso aos novos materiais e às suas potencialidades.

    Iniciou-se com a Casa Sol (1953), onde já inclui a colaboração de artistas plásticos, participação que viria a ser uma constante ao longo do seu percurso (painéis de azulejo nas empenas por Manuel Ribeiro de Pavia). O bloco de habitação plurifamiliar Universal (1961), com a sua complexa máscara de grelhagens, palas, terraços, recessos e sombras, o Cine- Esplanada Flamingo (1963), obra cosmopolita, com uma audaciosa cobertura em betão, suspensa, com 16 metros de balanço, ou o Liceu do Lobito (1966), sem dúvida, a sua obra mais radical, traduzem o amadurecimento da vontade de Castro Rodrigues em adaptar as novas técnicas construtivas ao clima tropical; na arejada Catedral do Sumbe (1966) inscreve, simultaneamente, um inovador espaço litúrgico, contando com a contribuição plástica de Clotilde Fava e Louis Dourdil.

    Em 2009, Eduarda Dionísio editou (com a Casa da Achada), o livro Um cesto de cerejas, no qual reúne uma série de conversas que manteve com o Arquitecto, trazendo a público muito do seu longo e rico percurso profissional e humano. Também em 2009, Moderno tropical: Arquitectura em Angola e Moçambique, 1948-1975, de Ana Magalhães e Inês Gonçalves (Tinta da China), ilustra abundantemente a obra construída de Castro Rodrigues, elegendo para capa, inclusive, uma esplêndida foto da ruína moderna do que resta do Cine-Esplanada Flamingo.

    Depois da independência de Angola, Francisco Castro Rodrigues colaborou na reconstrução do novo país, nomeadamente na organização do seu Curso de Arquitectura, tendo regressado a Portugal, às Azenhas do Mar (onde vive, desde então), em 1989."

    SOBRE OS PRÉMIOS AICA

    Entre 1968 e 1972, a Associação Internacional dos Críticos de Arte [AICA] atribuiu os prémios SOQUIL de artes plásticas, através de um júri fixo constituído por José Augusto França, Rui Mário Gonçalves e Fernando Pernes.

    Interrompido durante oito anos, o prémio "regressou", em 1981, por iniciativa da Divisão de Artes Plásticas da Direcção-Geral da Acção Cultural/ SEC (Secretaria de Estado da Cultura), em moldes que ainda hoje se mantêm.

    O Ministério da Cultura é responsável pela atribuição dos Prémios AICA - Artes Plásticas e Arquitectura desde aquele ano, fazendo-o através da DGArtes [Direcção-Geral das Artes].

    Entre os premiados desde 1981 figuram, nas artes plásticas e na arquitectura, respectivamente, Costa Pinheiro e Siza Vieira, Júlio Resende e Alcino Coutinho, Alberto Carneiro e Nuno Teotónio Pereira, Malangatana e Pedro Ramalho, Nikias Skapinakis e Manuel Tainha, João Cutileiro e Frederico George, Júlio Pomar e Fernando Távora, Paula Rego e Raul Chorão Ramalho, José Pedro Croft e João Mendes Ribeiro, Rui Sanches e a dupla de Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez.

    Na edição do ano passado, os prémios foram atribuídos ao fotógrafo Paulo Nozolino, na área das artes visuais e, a título póstumo, a Paulo Gouveia, na área da arquitectura.


    Mais informações:

    Direcção-Geral das Artes / Ministério da Cultura
    Gabinete de Comunicação e Relações Públicas
    E. gabcom@dgartes.pt
    Av. da Liberdade, 144 - 2º andar, 1250-146 Lisboa
    T: (+351) 211 507 010 | F. (+351) 211 507 261
    E. geral@dgartes.pt

    AICA [Associação Internacional dos Críticos de Arte]
    Secção Portuguesa da AICA R. Barata Salgueiro, nº 36 1250-044 Lisboa
    T. 21 313 85 10 | Fax. 21 313 85 19
    E. geral@snba.pt


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