O ESCULTOR
RUI SANCHES E A DUPLA DE ARQUITECTOS ALEXANDRE ALVES
COSTA E SERGIO FERNANDEZ RECEBEM PRÉMIOS AICA DE
ARTES PLÁSTICAS E ARQUITECTURA
Os Prémios AICA / MC 2008 [Associação Internacional
dos Críticos de Arte / Ministério da Cultura -
através da Direcção-Geral das Artes] foram
atribuídos ao escultor Rui Sanches [Prémio de Artes
Plásticas] e à dupla de arquitectos Alexandre Alves
Costa e Sergio Fernandez [Prémio de Arquitectura].
O júri, constituído por Manuel Graça Dias, Leonor
Nazaré, João Pinharanda, Ana Vaz Milheiro e José
Manuel Fernandes, deliberou o seguinte:
PRÉMIO AICA/MC
2008 - ARTES PLÁSTICAS
O Prémio AICA/Ministério da Cultura 2008 (Artes
Plásticas) foi atribuído ao escultor Rui Sanches
(n. 1954).
Rui Sanches é autor de uma das obras que de modo
mais forte marcaram a conjuntura artística
portuguesa dos anos de 1980.
O seu trabalho, extremamente reconhecível mas
alterando e desafiando em permanência os seus
próprios limites, lida com referências clássicas e
construtivistas que gere de modo erudito e inovador.
A experimentação e a procura inquieta conduziram-no
aos trabalhos de referência aparentemente
paisagística que realiza a partir de 1992,
recorrendo ao princípio da estratificação. A
madeira, o vidro e o metal são os materiais mais
frequentes nas suas esculturas. O desenho é também
um território essencial na sua investigação visual.
No ano de 2008 realizou três notáveis exposições em
relação às quais se poderia sublinhar uma particular
capacidade de diálogo com os espaços
arquitectónicos: Museum, no Museu Nacional de
Arte Antiga, com a criação de um diálogo muito
particular com a colecção e com as salas do edifício
do MNAA; uma segunda, na Galeria Fernando Santos, no
Porto, extensão e retoma de alguns aspectos desse
trabalho; e uma terceira, no Convento de Santo
António, em Loulé, no contexto da operação de
promoção turística Allgarve, com uma dimensão
expositiva na nave da igreja complementada com uma
instalação site specific nas salas em torno
do claustro.
PRÉMIO AICA/MC
2008 - ARQUITECTURA
O Prémio AICA/Ministério da Cultura 2008
(Arquitectura), foi atribuído à dupla de arquitectos
Alexandre Alves Costa (n. 1939) e Sergio
Fernandez (n. 1937).
O trabalho destes dois arquitectos, com escritório
no Porto, tem-se vindo a destacar, há já longos
anos, quer pela qualidade e contemporaneidade das
suas propostas quer pelo rigor e cuidado histórico
das muitas intervenções sobre o património
construído onde têm sido chamados a actuar,
sobretudo como resultado de concursos públicos.
Desde o realista, poético e minucioso Estudo de
Recuperação e Valorização Patrimonial da Aldeia de
Idanha-a-Velha a que se têm entregue nos últimos 15
anos, ao recente restauro e modernização do
Cine-Teatro Constantino Nery em Matosinhos,
inaugurado em 2008, até ao incrível trabalho de
consolidação, enquadramento arqueológico e proposta
para "dar-a-ver", no caso do Convento de
Santa-a-Clara a Velha, em Coimbra, que abrirá ao
público ainda este ano, o contributo destes dois
arquitectos e das equipas que têm sabido orientar,
tem sido fundamental para uma totalmente nova
compreensão do papel que a herança arquitectónica
pode e deve assumir nas sociedades contemporâneas;
também na produção de obra nova, de raiz, o seu
trabalho se destaca, levantando e interrogando os
mais actuais problemas da arquitectura e do desenho
urbano, como o atesta o novíssimo (2005) Complexo
Residencial de Viana do Castelo, elegantemente
projectado à ilharga da cidade histórica.
Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez, possuem
ainda um notável percurso ao serviço do ensino da
arquitectura, em especial como Professores da
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto,
tendo marcado, com a sua sensibilidade e cultura,
inúmeras gerações.
Em 2007 foi editado o livro Textos datados,
que reúne uma série de relevantes reflexões de
Alexandre Alves Costa e, em 2008, Só nós e
SantaTecla, um álbum crítico, escrito por vários
autores, sobre uma das obras mais interessantes da
moderna arquitectura portuguesa, a Casa Alcina,
desenhada em 1971 por Sergio Fernandez.
SOBRE OS PRÉMIOS AICA
Entre 1968 e 1972, a Associação Internacional dos Críticos de Arte [AICA] atribuiu os prémios SOQUIL de artes plásticas, através de um júri fixo constituído por José Augusto França, Rui Mário Gonçalves e Fernando Pernes.
Interrompido durante oito anos, o prémio “regressou”, em 1981, por iniciativa da Divisão de Artes Plásticas da Direcção-Geral da Acção Cultural/ SEC (Secretaria de Estado da Cultura), em moldes que ainda hoje se mantêm.
O Ministério da Cultura é responsável pela atribuição dos Prémios AICA desde aquele ano, fazendo-o através do então IAC [Instituto de Arte Contemporânea], depois IA [Instituto das Artes], e presentemente DGArtes [Direcção-Geral das Artes].
Entre os premiados desde 1981 figuram, nas artes
plásticas e na arquitectura, respectivamente, Costa
Pinheiro e Siza Vieira, Júlio Resende e Alcino
Coutinho, Alberto Carneiro e Nuno Teotónio Pereira,
Malangatana e Pedro Ramalho, Nikias Skapinakis e
Manuel Tainha, João Cutileiro e Frederico George,
Júlio Pomar e Fernando Távora, Paula Rego e Raul
Chorão Ramalho, José Pedro Croft e João Mendes
Ribeiro.
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