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       Representação
       Oficial Portuguesa


       Exposição
       Europa Arquitectura
       Portuguesa em Emissão


       Comissários

       Arquitectos Participantes




 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REPRESENTAÇÃO OFICIAL PORTUGUESA

A presença portuguesa na 7ª BIA de S. Paulo é mais uma peça no contínuo processo que deve constituir o relacionamento cultural entre Portugal e o Brasil. Neste caso, a representação oficial portuguesa – Europa, Arquitectura Portuguesa em emissão, comissariada por Jorge Figueira e Nuno Grande – reveste-se de um particular significado. Imediatamente, pode dizer-se que a exposição apresenta um conjunto de edifícios significativos da arquitectura portuguesa dos últimos cinquenta anos. Numa segunda leitura, induzida por imagens televisivas que abrangem o mesmo período, é possível entender a produção arquitectónica aqui apresentada como o reflexo, o significante que emerge das complexas relações que Portugal foi construindo com a Europa e o Mundo permitindo, desta maneira, uma singular visão do Portugal contemporâneo.

Sumariamente, a mostra permite-nos acompanhar a formação da consciência do ser contemporâneo português, o que é sublinhado pelo recurso ao leit-motiv televisivo – ícone simbólico por excelência do início de uma certa contemporaneidade. E essa metamorfose é conduzida pelos seguintes marcos miliários: passagem de um país que é geograficamente europeu, mas cultural e politicamente afastado da Europa e que vê essa Europa como um referente presente mas longínquo a que pretende aceder, para um país que nela se integra e, finalmente, se projecta no mundo. Movimento possibilitado a partir de uma teia formada pela contaminação de ideias, aspirações, perspectivas e concepções que se foram incorporando no imaginário nacional num processo simultâneo de assimilação e acomodação, para, finalmente, sair para fora de si num mundo globalizado.

Não é, portanto, só de arquitectura que aqui falamos. Falamos também de Portugal, da história recente da sua complexa relação com a Europa e de como a arquitectura recebeu e reflectiu essa influência. O trabalho dos arquitectos são edifícios que, desta perspectiva, podem ser vistos como metáforas da construção progressiva de uma nova e provisória identidade. Ao colocar este objecto num evento de referência mundial como é a Bienal de Arquitectura de S. Paulo, pode dizer-se que o projecto cumpre o desígnio que implícita e estruturalmente definia.

A Direcção Geral das Artes pretende, deste modo, não apenas dar visibilidade à arquitectura portuguesa contemporânea, mas também a Portugal, à matriz nacional identitária da sua cultura que é simultaneamente europeia e cosmopolita.

Orlando Farinha | Direcção-Geral das Artes