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Inês Lobo: Uma escola para Cabo Verde. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira






































 
Pedro Maurício Borges: Uma escola para a Guiné-Bissau. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira









































 
Pedro Reis: Uma escola para São Tomé e Príncipe. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira




 

CINCO ÁFRICAS/ CINCO ESCOLAS
POR MANUEL GRAÇA DIAS
COMISSÁRIO DA
REPRESENTAÇÃO OFICIAL PORTUGUESA NA BIA'09


A representação portuguesa na BIA’09 foi pensada como uma oportunidade para uma
acção mais propositiva, mais útil, uma oportunidade de construir uma situação com hipóteses de continuidade, que não se esgotasse nesta mostra.
Propositadamente, o olhar foi voltado para África e para os cinco países de língua oficial
portuguesa que nos são afectiva e historicamente mais próximos. Conhecidas as grandes carências com que essas jovens nações se debatem na procura da construção de sociedades mais justas e democráticas no meio dos enormes desequilíbrios provocados pela irracionalidade económica mundial, o tema da educação e das construções a ela dedicada não pôde deixar de surgir como o mais premente e o que maior sentido faria estimular e promover.

Cinco escolas para África, exercícios assentes sobre bases verdadeiras, menos autoreferenciados,
menos umbilicais; exercícios quase nos limites das possibilidades da arquitectura;
ali, onde as condições de vida não estão certamente formatadas pelo conforto
europeu e onde a urgência social é aguda e obriga a um enorme e voluntário esforço de
outra invenção. A escassez e a sustentabilidade encaradas no seu próprio território, já não
como premissas sócio-decorativas, académicas ou retóricas.

Os projectos trazidos por Portugal à Bienal, constituem a primeira fase de uma acção de maior alcance: a de fazer construir em cada um destes países um objecto arquitectónico
adequado: à escala local, às condicionantes locais, aos materiais e tecnologias locais.

 


Jorge Figueira: Uma escola para Angola. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira

Escolas simples e de fácil execução, mas não miserabilistas nem redutoras das capacidades da arquitectura; escolas duráveis, fortes, de manutenção imediata, não reféns de tecnologias sofisticadas e de impossível futura reparação; escolas bonitas, simbólicas, amigáveis, onde os materiais e os modos de construção localmente mais popularizados possam adquirir nova expressão, potenciando outras aplicações inventivas e algum orgulho e consciência descontraídos por sobre as tradições que o tempo foi seriando nas diferentes
regiões africanas.

Entretanto, a escolha dos cinco arquitectos. Voltámo-nos para a geração nascida nos anos
de 1960, procurando que os cinco convidados fossem autores com um percurso já hoje sólido e coerente e cuja capacidade em lidar com problemáticas menos confortáveis fosse
notória.

Arquitectos decididos a continuar uma prática que finalmente também poderá caracterizar a própria história de uma actividade disciplinar a que chamássemos portuguesa: a facilidade da mistura, o gosto e o desejo de compreender o Outro, a coragem da proposição
heterodoxa, a vontade da experimentação frente a novos cenários.

 

Pedro Ravara + Nuno Vidigal: Uma escola para Moçambique. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira

São cinco Áfricas diferentes, os locais − Achada Fazenda em Cabo Verde, Cacheu na Guiné
Bissau, Santa Catarina em São Tomé e Príncipe, Benguela em Angola e Vila do Milénio
(Nampula) em Moçambique − para onde as cinco escolas foram projectadas.

São cinco escolas (formações, modos de ver, maneiras, sensibilidades) também, as cinco possibilidades diferentes que os cinco autores ensaiaram.

Os trabalhos que Inês Lobo, Pedro Maurício Borges, Pedro Reis, Jorge Figueira e Pedro
Ravara/Nuno Vidigal aqui nos deixam, ilustram a hipótese generosa de, para cada lugar,
para cada problema, os arquitectos desenharem uma resposta única; de isolarem através da sua sensibilidade uma possibilidade crítica específica: a que lhes parece melhor, mais justa, mais adequada, mais bonita, para pôr ao serviço das pessoas específicas e únicas
que a irão habitar.

 
 



 
 

       

 

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