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Inês Lobo: Uma escola para Cabo Verde. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira












































 
Pedro Maurício Borges: Uma escola para a Guiné-Bissau. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira















































 
Pedro Reis: Uma escola para São Tomé e Príncipe. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira




 

A ARQUITECTURA NO LUGAR DA ACÇÃO
POR JORGE BARRETO XAVIER
DIRECTOR-GERAL DAS ARTES


Quando, em 2008, propus ao Ministro da Cultura que a presença de Portugal em São Paulo, na 8ª Bienal Internacional de Arquitectura, correspondesse a um projecto de criação em arquitectura gerador de impactos em lugar específico, mais concretamente, nos cinco países africanos de língua portuguesa, através de propostas para o desenho de escolas, a sua resposta foi imediata, no sentido de avançar.

Manuel Graça Dias foi o comissário convidado. A sua capacidade criativa, o seu percurso como arquitecto, professor e crítico de arquitectura, são elementos que, associados às suas competências como comunicador e líder de equipas, o indicam como referência incontornável do actual panorama da arquitectura portuguesa.

Uma representação oficial em arquitectura pode, sem desmerecer, ser um documento sobre a arquitectura (passada ou presente), uma reflexão, ou uma utopia. Qualquer dessas
possibilidades não é menor.

Todavia, não foi esse o caminho que decidimos fazer.
Não é limitador de um projecto de criação procurar para o mesmo uma utilidade prévia?
Como se percebe, esta matéria tem diferente valor conforme o campo da pergunta – é
questão sujeita a grande polémica, fazê-la no domínio das artes visuais e das artes do
espectáculo (para simplificar). Todavia, seria estranho não a colocar nos domínios da arquitectura e do design.

Apesar da crescente tendência para a apresentação de propostas estéticas não funcionais, dificilmente se aceita um objecto de arquitectura ou de design sem utilidade. Sem poder abdicar as respectivas disciplinas das utopias e dos programas “inúteis”, há um momento
que será, eventualmente, “o” momento da arquitectura, que é o do construído – potência
e acto.

 


Jorge Figueira: Uma escola para Angola. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira

A capacidade crítica, o trabalho de escola, a erudição, a criatividade, a competência técnica, a consciência plástica, as noções sobre o território e a consciência política, todas elas
de grande relevância para a arquitectura, têm expressão numa proposição que se materializa.

E a materialidade da proposta já não pode, na sua tridimensionalidade, ser como a instalação, a escultura, o monumento, “inútil”. O seu patamar relacional não será, apesar de também poder ser, o da instalação, da escultura, do monumento (actualmente, a arquitectura passa, por vezes, à categoria de “espaço lúdico/monumental urbano” e continua, como sempre, a ser representação de cultura e de poder). Assumindo um espaço próprio para a presença social da arquitectura contemporânea na relação com as artes, pretendesse
com a representação oficial portuguesa à 8ª Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo a afirmação da criação em arquitectura na sua relação com o espaço em concreto.




 

Pedro Ravara + Nuno Vidigal: Uma escola para Moçambique. Maqueta do projecto. © Luísa Ferreira

Mais do que isso, a sua relação com o lugar. E nessa relação, a convocação da densidade
social do lugar.

A história portuguesa com África é uma história grande. Na construção da história do
futuro, a arquitectura portuguesa pode ter o seu papel. Como se verá no decurso do catálogo, a influência do trabalho de arquitectura portuguesa em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe marca de forma irrenunciável o século XX.

Essa marcação é quase o espaço de liberdade em arquitectura que a então Metrópole não
permitia aos nossos arquitectos. Por isso, alguns dos melhores exemplos do Modernismo em arquitectura assinados por portugueses se encontram em África, demonstrando a nossa
pertença a esse espaço. Essa pertença deve, pois, ser assim visitada – não como acto colonial, antes como acto relacional.

 
 



 
 

       

 

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